31 de maio de 2017

"O Destino de Krisna": Como tudo começou?

No início de março o TibiaGuias trouxe (e transformou em e-book e coluna) um projeto muito especial não só para a nossa equipe, mas para toda a comunidade tibiana.

Longe de qualquer exagero, "O Destino de Krisna" é algo que merece muito destaque por inúmeros motivos: interatividade, conteúdo voltado para o RPG, aventuras e respeito ao jogo são alguns exemplos.

Neste mês, resolvemos fazer um grande Q&A, explicando boa parte da história do projeto e seus bastidores! Mas ah, não se assuste com o tom "pessoal" deste artigo. Queremos levá-lo a uma conversa entre amigos... Nós, a Krisna Jester e você!

Confira abaixo um artigo muito bacana voltado para o projeto e seus detalhes, além de uma entrevista com a mente por trás de tudo: Gladiadora!


Começamos pelo nosso início: a Gladiadora (Priyla, Glady), autora, que há mais de 1 ano também faz parte da equipe TibiaGuias, aceitou o nosso convite de retomar o life thread aqui no TG; prontamente reuniu as postagens ao longo de 3 (!!) anos de histórias, as quais transformamos em e-books - facilitando e muito a vida de quem começou a acompanhar ou simplesmente quis relembrar toda história da Krisna Jester - e as publicações do material continuam em forma de coluna.

Ok, não foi a melhor forma de começar, afinal, o início não se deu em nosso fansite. Mas isso será explicado no decorrer do artigo, pode ficar tranquilo! Voltando ao que interessa... O início da jornada da Krisna Jester se deu no final de 2013 e, entre idas e vindas, sua história foi contada no Tibia Fórum até fevereiro de 2017. Por lá, a então NPC se tornou personagem e se fez presente com muitas aventuras: foram mais de vinte e sete mil visualizações e mais de vinte páginas com quase quinhentos comentários (entre conteúdo e comentários) ao longo destes anos.

"pântano?"
O RPG sempre foi um ponto forte na história e, por diversas vezes, divertiu os leitores (especialmente com os diálogos entre Krisna Jester e outros jogadores). Com o passar dos anos o RPG foi sendo esquecido por boa parte dos jogadores, então encontrar uma "Krisna Jester" por ai com certeza não é muito frequente nos dias de hoje... Se não bastasse todo o diferencial, a Krisna ainda nos lembra de muito conteúdo "esquecido" no jogo: quests, locais de caça, diálogos que passam despercebidos... É
uma visão que a maioria dos tibianos de hoje desconhecem, infelizmente.

Voltando à personagem... Para Krisna, que sempre teve seu destino decidido pelos leitores, nem tudo foram flores... A paladina acumula mais de 30 mortes em seu currículo, e sua personalidade tem muita relação com este assunto. Curiosa e guiada pelos deuses, nem sempre se deu bem em suas empreitadas, mas o que importa é ter história para contar, não é?

 

Estatísticas de mortes - via GuildStats 

Continuaremos contando um pouco desta trajetória considerando o outro lado da moeda: a visão da criadora (e da criatura também!). Confira a entrevista completa abaixo! Boa leitura!


1) Como surgiu a ideia de um "Life thread" onde o público decide o destino da personagem?


Gladiadora: Nooooooooooosaaaaaaaaaaaaa! Tá com tempo?  Senta que lá vem a história. Kkkkkkkk.

Não lembro ao certo, mas provavelmente foi em uma das longas madrugadas de conversas regadas a hidromel em alguma mesa privativa da taverna da Vila Scapula. Quem me conhece sabe que a imaginação vai longe e, às vezes, sai algo produtivo (rsrsrs).

Na verdade, posso dizer que optar pelo “você decide” foi uma consequência e não o objetivo em si. Comecei no Tibia em 2001, a comunidade era diferente, o estilo de se jogar também. O Tibia era um RPG online, conheci o jogo dessa forma e meus primeiros companheiros de jogo eram RPGistas. Dávamos vida aos nossos personagens e, juntos, criávamos muitas histórias aventuras e até mesmo quests.

Não havia essa facilidade de se obter spoilers e informações, os fansites não eram mais do que fóruns onde jogadores se encontravam para se ajudar e trocar experiências e isso também acontecia in-game.
Como o jogo não é linear, simplesmente brincávamos naquele mundo explorando todas as possibilidades, interagindo uns com os outros,  com os NPCs e também com a Lore dos livros e documentos.  Atualmente, para muitos é estranho entender isso, é difícil pensar que a diversão e a recompensa estava no caminho a ser percorrido e não no boss final ou gratificação material de alguma quest.

Hummm, como vou explicar isso para quem joga hoje em dia?... O Tibia era como um Test Server permanente, você sabe que tem conteúdo pra ver e explorar, mas não sabe o que é. Não sabe se dará conta. Não sabe quais serão os desafios, as respostas dos enigmas, nem se vai ganhar algum item, ouro, achievement ou xp. Simplesmente você decidia encarar o desconhecido e ia. Entende a emoção?

Então, me peguei pensando: “Será que hoje em dia ainda é possível jogar Tibia da forma como eu o conheci?” E, veio a ideia de tentar. Comentei com amigos que falaram para fazer um life thread pois queriam acompanhar como seria isso.

Ai primeiro desafio, normalmente, os life threads mostram ups, conquistas, recompensas, skills, etc ou seja, a progressão do personagem em um contexto linear. Mas o que eu queria era o oposto disso. Consigo jogar focada no RPG mas como passar isso para a comunidade apenas com fotos e em um life thread? Foi, então, que cheguei à conclusão que não daria, teria que escrever e descrever o que estava acontecendo e como o personagem interagia e vivenciava tudo que fosse acontecendo. Focar na trajetória e não apenas nas evoluções.

E, na sequência, o segundo desafio: como “esquecer” o conhecimento que tenho do jogo? Não teria apenas que jogar, teria que entrar mesmo no jogo e na personagem, pensar e vivenciar como ela cada coisa que acontecesse. Realmente, olhar o Tibia como se fosse um RPG de mesa, dar vida a um personagem e com ele interagir e reagir as situações que fossem criadas. Neste caso, o game master, as regras e os livros seriam o Tibia em si. As situações e possibilidades do jogo que conduziriam a história.

Ai entra um terceiro desafio, jogos de interpretação não são 100% livres, além das regras é comum o uso de dados indicando a direção que o jogo irá tomar. Ou seja, qualquer teste de habilidade ou capacidade do personagem,  o fazer ou não uma coisa, o sucesso ou não em uma determinada tarefa ou combate, fica a cargo da aleatoriedade dos dados. Como reproduzir isso no jogo se, além do conhecimento prévio,  já tendo um estilo próprio e uma vocação favorita? Jogar dados para decidir o que a personagem faria ou não em cada etapa me pareceu monótono.

Foi ai que, quase desistindo, me deparei com um artigo analisando o sucesso dos reality shows. Bem, além de curiosidade pela vida alheia ser considerado algo intrínseco no instinto natural do ser humano, as pessoas gostam de dar palpite, de dar conselhos e sugestões de tudo. E, cada jogador de Tibia tem sua forma de pensar, agir e vivenciar o jogo. Então veio a ideia: por que não envolver a comunidade no processo? Por que não deixar a comunidade ser o fator de aleatoriedade que eu precisava? Por que não deixar minha zona de conforto e arriscar uma experiência in-game completamente diferente de tudo que já tinha feito?

Bem, não estava muito certa que daria certo, que seria possível algo assim , que teria paciência, muito menos que a comunidade iria ajudar. Mas, gostei do desafio e resolvi tentar.
Então, o objetivo em si não é contar uma história, pois não há história pronta para ser contada. Ela se constrói a medida que é jogada e, realmente, não sei no que vai dar, não sei o que as pessoas vão escolher nem se vão continuar participando e ajudando.

Se há um objetivo nisso tudo além a diversão, minha que jogo “às cegas” e da comunidade que acompanha e vota,  seria a de divulgar um outro lado do Tibia. Uma outra forma de encarar e aproveitar o jogo e seu conteúdo que muitos jogadores esqueceram, alguns  não conhecem e muitos nem cogitam que possa existir.


2) Sabemos que "O destino de Krisna" exalta o lado rpgístico do game, que por muitas vezes é esquecido pelos jogadores. Como autora, como você vê o conteúdo RPG do jogo? Falta algo?

Gladiadora:  Pelo Tibia não ser um jogo de evolução linear (ou seja, há liberdade para se fazer , criar, evoluir e se divertir com o personagem como quiser) isso já favorece e muito para aqueles que querem vivenciar um personagem.  Por exemplo: lembrei-me agora de um jogador gringo que conheci  (kkkk) ele vivenciava um personagem que era o lixeiro de Thais, logava e,  antes da hunt, ia limpar a cidade, percorria todas as ruas catando o que outros jogadores desprezavam. Se alguém jogasse algo enquanto ele estava “trabalhando” ele xingava, e se tinha invasão de ratos era um tal de “Estão vendo? Cidade imunda da nisso... e agora?”. “matem os ratos, matem os ratos, eles transmitem doenças”.

Enfim, voltemos à pergunta, o conteúdo geral do jogo dá muito espaço para o RPG.  Na verdade, para mim, o RPG tibiano depende mais do jogador que do jogo em si. Contudo, a CipSoft já foi mais caprichosa e cuidadosa. Acredito que pela mudança do perfil do público, ultimamente, tenha deixado a consistência da Lore de lado.

Antes, era tudo bem amarrado, conseguíamos referências nos NPCs, livros, documentos. Se havia um update, muitas vezes os elementos novos faziam referencias aos já existentes, estimulando a busca e a curiosidade. E isso facilitava para encarar o jogo pelo lado rpgístico.

Hoje, infelizmente, não sinto mais esse capricho por parte dos desenvolvedores. Entendo a necessidade de se adequar ao novo público, mas fica um buraco. Ficam incógnitas, hoje, por exemplo, do nada um Knight ganha habilidade para sumonar uma criatura. Como assim?  Como ele aprendeu isso se não é a essência da vocação?

Entende? Há algum tempo seria colocada alguma explicação plausível para a implementação dessa essa capacidade, nem que fosse uma quest para desenvolver a habilidade, ou um trecho na fala dos governantes ao se "subornar" pela promotion (kkkkkkk olha meu lado rpgista falando). Mas só percebe isso quem se liga nas histórias e na consistência de cada novo elemento dentro da Lore.

3) Como sabemos, o Life thread foi iniciado em um fórum, mas porque a escolha do nome "Krisna Jester"?

Gladiadora:  Bem, como disse anteriormente, decidi tentar o desafio, para mim seria um teste em todos os sentidos. Char novo, começar, do zero, focar no RPG e transformar sua trajetória em um life thread interativo e imprevisível, escrever uma história.  Se a ideia era encenar um personagem que vive no Tibia, que não tem consciência de que é um jogo, ele precisaria de uma identidade.

Ai um quarto problema surgiu. Nesta época, final de 2013, meu perfil, Gladiadora,  já era bem conhecido no TibiaForum,  como dissociar esse novo personagem e projeto do meu perfil de modo que a comunidade interagisse e comprasse a ideia de ser um life thread contando a historia de um personagem “real”  e não de um personagem jogado por alguém que eles já conheciam?

Bem, tenho que fazer um esclarecimento, o TibiaForum sempre teve um apelo RPGístico forte, é uma de suas características. A organização interna se baseia em uma construção RPGística, assim como os títulos conseguidos por postagens e há também a seção Centro de Scapula onde, antigamente, era comum os membros do fórum criarem personagens e interagirem em histórias RPGísticas escritas em conjunto. Participei de algumas, inclusive. Então, não pensei em nenhum outro espaço viável para começar esse projeto de life thread rpgístico sem ser no TibiaForum.

Retomando, foi ai que compartilhei o projeto com Sanosuke'Matheus (na época sub-administrador), que, de cara, comprou a ideia e incentivou sua realização. Conversamos sobre minhas apreensões e ele comentou que no TibiaFórum havia um projeto antigo que não foi adiante e estava subutilizado : a utilização de usuários "NPCs" para interagir com a comunidade.
Segundo Sano, pensava-se em cada membro da equipe adotar um NPC e dar a ele vida própria dentro do contexto do fórum utilizando personalidades pré-determinadas pelas equipes anteriores. Esses NPCs poderiam ter tanto histórias in-game como também no fórum. E,ele próprio me mostrou o projeto que havia iniciado com o NPC Flyre. Mas, o projeto dos NPCs , como um todo, nunca foi plenamente executado e muitos NPCs, inclusive, seriam deletado (se não me engano alguns realmente foram).

Dessa forma, como seria algo novo,  eu não sabia se daria certo pois precisava da comunidade envolvida, vivenciando e tendo empatia (ou não) pelo personagem e não pela Gladiadora que já conheciam,  me pareceu uma boa ideia utilizar um NPC para as postagens. Como se o NPC fosse o próprio personagem narrando sua história e aventuras in-game. Seria um teste, nunca imaginei que iria tão longe. Entramos em acordo de como seria a utilização de um dos NPCs e Sano me apresentou os disponíveis. A essa altura já havia a definição que seria um personagem female. E,  dentre os NPCs female disponíveis acabei tendo mais empatia pela Krisna. (Na verdade,  depois disso, durante todos os anos que fiz parte da equipe acabei foi dando vida a vários dos NPCs, foi algo realmente gratificante e divertido de se fazer).

Bem, escolhi a Krisna pela empatia com o NPC e também pelas postagens anteriores em nome dela. As postagens foram poucas e pontuais: brincadeiras temáticas com a comunidade. Então, a possibilidade da comunidade se lembrar do perfil do “antigo dono” seriam remotas e mesmo que alguém lembrasse do NPC, ele estava associado com tópicos de interação com a comunidade, então, tudo a ver com meu projeto!

Quanto ao sobrenome  Jester, pensei nele considerando alguns fatores: originalmente o NPC foi idealizado para a função de “bobo da corte” da Vila Scapula; meu projeto nada mais é que uma brincadeira, uma invenção, uma interpretação a partir do ponto de vista de um personagem do jogo; além de incentivar uma outra forma de experimentar o jogo, o objetivo é entreter e divertir;  e, sempre houve mistério e especulações em relação ao NPC Bozo (que é um jester) e o túmulo de Rook.

Então, assim que criei Krisna Jester, a personagem , a NPC Krisna deixou de ser um personagem fictício do TibiaForum para ser Heterônimo¹ da Gladiadora.
Engraçado disso é que já “postei errado” algumas vezes, esqueci de trocar o usuário, fiz, como Gladiadora, um post de atualização do life thread sem nem perceber.  E, em uma dessas, instantes depois da postagem, um usuário me mandou uma mensagem privativa avisando do equivoco, e contanto que estava super curioso para saber quem escrevia.

Nota¹ : Qualificativo de uma obra que um autor publica em nome de outrem. Designativo de um autor que escreve em nome de outra pessoa. (Dicionário Michaelis da língua portuguesa)

4) O público decidiu até a vocação e o mundo escolhido. Isto foi um problema para você como jogadora? Você tinha alguma experiência com Paladino e em mundo open PvP?


Gladiadora:  Infelizmente, o publico não escolheu o mundo. Precisava de uma forma de começar e queria algo RPGístico, do personagem já aparecendo no mundo e pedindo ajuda aos “deuses”  a respeito do que deveria fazer.
Imaginei que iniciar de forma técnica explicando a proposta e pedindo para votarem por exemplo,  na escolha do sexo do personagem e também do mundo ficaria algo muito técnico e quebraria o fator surpresa e também a magia.

Contudo, não influenciei nessas escolhas. Usei dados (kkkkkk). Gente, foi muito ridículo mas foi o que fiz. Peguei um dado comum real life, se desse par char male, se desse ímpar char female. Caiu 5. Depois local do servidor: par servidor europeu, ímpar servidor americano, caiu 3. E assim sucessivamente até chegar no resultado final do mundo: Saphira.

Nossa fiquei em pânico, PvP e não conhecia ninguém. (Pode sortear de novo? Ninguém viu, brincadeira!). Apesar de bater uma insegurança, esta era a proposta, encarar o que viesse como resultado da aleatoriedade. Estava disposta a este desafio e nova experiência com o Tibia e, já nos dados, saí completamente da minha zona de conforto.

Mas, desse ponto em diante, as decisões foram da comunidade. Incluindo a vocação. Outro baque, paladino, sempre acompanhava discussões sobre paladinos e via muitas pessoas recomendando e encorajando o jogo com eles. Eu até tenho outro paladino, mas criei o char para “brincar com o pai dele” nunca realmente joguei procurando entender a vocação e me aperfeiçoar. Então, seria outra adaptação e aprendizado.

Em relação a experiência PvP mesmo hoje ainda acho que todo personagem que aparece quer me matar. Meu mundo inicial de jogo (lá em 2001) foi Eternia (PvP), conheci  um dos meus primeiros e grandes amigo tibianos morrendo pra ele kkkkk.  Nunca fui muito habilidosa em PvP mas depois de um período retired, retornar com tantas mudanças no PvP ainda me sinto perdida e me considero um desastre em PvP. Até teria aulas mas, minha professora trocou de mundo.

Quanto a jogar de paladino, meio complicado. Até tenho mages, mas foram anos jogado exclusivamente com  knight. Ai as vezes bugo e corro na direção da criatura ao invés de fugir dela. Caçar com runas e tendo que me lembrar que a munição uma hora acaba ainda é um desafio.

5) Como a Krisna Jester se define? Dando voz à personagem, fale um pouco sobre a sua personalidade.

Votação para traços da personalidade da Krisna.
Gladiadora:  Antes de chamá-la, esclareço que os traços da personalidade dela também foram definidos por votação da comunidade.

Krisna Jester:  Estava quente, revirava-me de um lado para o outro enquanto dormia, sono agitado. Acordei  assustada, olhei a minha volta, Azeitona e Palmito dormiam tranquilos. Tentei entender o que me afligia, dessa vez não foram  pesadelos com as enormes aranhas daquele mundo. Era algo meu, algo do meu íntimo.

No fundo sabia que não estava sendo fácil viver tudo aquilo, minha curiosidade e impulsividade me empurravam mais e mais fundo  naquele universo. Estava me envolvendo mais do que queria, mais do que podia, mais do que pensei aguentar. Mas eram tantas pessoas precisando de ajuda, tanta coisa nova, tantos desafios que não dariam para ser abandonados nem deixados de lado...
Não sabia o que me aguardaria no dia seguinte. Só uma coisa podia garantir, que ia tentar dar o meu melhor mesmo às vezes tendo a impressão de que algumas pessoas estão tentando se aproveitar de mim.
Virei-me para o lado, os olhos já estavam novamente pesados.

6) Qual o maior desafio que o público escolheu para a Krisna Jester até agora? E qual o maior desafio para você como jogadora? E como autora?

Gladiadora:  Definitivamente, tudo que envolva aranhas é complicado para a Krisna, não pela capacidade da personagem ou minha mas por terem definido que ela tem aracnofobia. Ela realmente trava e se coloca em risco pelo medo. Então, é muito difícil levar o char para lugares que sei que tem aranha pois tenho que esquecer tudo e focar em fugir das aranhas kkkkkkk.

Deep Banuta mesmo foi muito engraçado, divertido e também desafiante.  Estava acompanhada de uma knight que pelo level e experiência não teria dificuldade alguma de limpar o respawn e deixar seguro para a Krisna. E, estava indo bem, até que uma GS passou pela knight e veio na direção da Krisna. E, eu tive que reagir como Krisna, comecei a correr e a gritar como louca e saiu lurando tudo e se corresse mais, o risco aumentava,  iria lurar criaturas  mais perigosas e em maior quantidade.  A blocker ficou louca quando se tocou no que tinha acontecido (ela acompanhava o life therad), kkkkkkkk ela não sabia se ria, se pedia desculpa ou se matava a aranha.

Nossa, para mim enquanto jogadora, tudo é desafio, não sei o que vem pela frente. Acho que nem é apenas  a questão dela ser paladina ou o mundo ser PvP, o desafio maior é ter  que jogar como ela e não como eu mesma, jogar pela decisão das pessoas e pela personalidade da personagem e não pelos meus interesses.

Eu sei que tem locais que ela não vai aguentar, tem coisa que eu não faria com um personagem principal mas com ela tenho que fazer, seja pela votação, seja pela personalidade que definiram para ela. Vou já sabendo que será viagem ao templo. Não que eu goste de morrer, mas como já falei, tenho que esquecer que um determinado buraco leva a ante sala do vórtice colorido para o Otherworld e , como Krisna:  “ãhn! O que é isso?”  Ai descer e voltar às bênçãos.

Então, o maior desafio pra mim, enquanto jogadora, certamente é não ser eu mesma.
Agora, como autora, hummmm... escrever já é um desafio pois nunca fiz nada assim na vida. Nunca me imaginei escrevendo uma história, contando uma história criada por mim e tendo pessoas lendo e contribuindo. Wow! Bem estranho isso.

Também é desafiante fazer as coisas se encaixarem. A Krisna tem uma sorte que outros personagens meus não tem, isso ajuda muito (ou não). Ela vai a determinados lugares para uma coisa e já encontra uma invasão, uma mini world change ou um evento, não é programado, simplesmente acontece.  Isso ajuda a historia a fluir, a apresentar o conteúdo do jogo e as opções das enquetes de forma mais natural.

Terem dado a ela características como: curiosa, impulsiva e persistente também contribui para a dinâmica da narrativa, nem sempre fico presa esperando resultado de enquetes, ela tem liberdade e uma autonomia relativa para investigar. Desde que, seja algo secundário em um contexto maior já definido em votação anterior.

Mas fica para mim, como autora o desafio e o “trabalho” de criar a sequência da narrativa de forma lógica e atrativa para quem lê. Muitas vezes, inclusive,  tive que voltar a estudar, a pesquisar a lore envolvida em algum contexto.

Por exemplo a Desert Quest ou a Paradox Tower Quest. Hoje temos spoilers. Sabemos onde ir, o que levar o que falar. A Krisna não sabe, e ai? Como levar a personagem para fazer a quest votada?  A trilhar o caminho da descoberta das respostas dos enigmas e entender o que fazer? Felizmente, como disse anteriormente, a Lore antiga era elaborada com capricho, as dicas e pistas estão no jogo, é procurar e ter cabeça para encaixar as peças. O que é um desafio mas também é gratificante pois tenho a oportunidade de contar e recordar aspectos do jogo que muitos não conhecem.

7) Muito curioso também é o fato de você distribuir prêmios entre os fãs da Krisna Jester. Esta iniciativa não é muito comum entre os jogadores tibianos. Porque isto ocorre?

Gladiadora:  Bom tocar nesse assunto, realmente as pessoas não entendem. Mesmo real life, sempre gosto de presentear pessoas especiais com as quais convivo. É algo meu.

Em relação ao Tibia e também nos fansites, gosto de interagir com a comunidade, organizar brincadeiras, eventos, gincanas e no tempo que passei no TibiaForum foi me dada muita liberdade e autonomia para isso. É uma característica minha. Eu me divirto envolvendo a comunidade em projetos e movimentando fóruns e a fanpages.

Como disse antes, sou de outra geração de jogadores. Conheci o jogo em uma época que a comunidade era mais solidária. Participei de guildas que eram muito ativas, não apenas no sentido de services, mas,  também em termos de organização de eventos, gincanas, torneiros e festas in-game.
Eram guildas muito organizadas e unidas. Por exemplo, no jogo ainda não existia conta bancária para a guilda, mas os lideres mantinham uma reserva comum. Não havia bênçãos então a poupança da guilda também era constituída de itens para ajudar quem morresse, ajudar um personagem novo ou quem retornasse após longo retired. Então as guildas tinham certo “patrimônio público”, os lideres gerenciavam as doações em gps e itens seja para utiliza-lás para ajudar seus próprios membros seja para premiar em eventos organizados ao longo do ano.

Eu pertenci a algumas guildas assim. Com o tempo, as pessoas foram parando de jogar, dando retired, muitos não voltaram e foram passando uns para os outros não apenas os “tesouros” da guilda como também o legado de usá-lo para a comunidade.

Então, até hoje, eu mantenho o compromisso assumido,  honro a confiança que tiveram em deixar as coisas comigo e, dentro do possível, procuro manter este mesmo estilo e espírito.

8) Qual sua motivação para continuar com o projeto aqui no TG? O modelo de e-book e publicações numa coluna aqui no TibiaGuias é muito diferente da versão em fórum, mas você sente que atinge o mesmo público?

Gladiadora: Quando deixei a equipe do Portal Tibia/Tibia Wiki ficou um pouco difícil à continuidade do projeto no mesmo modelo. Eu ainda tinha as imagens e boa parte da história já jogada escrita, mas não me sentia confortável  em o logar com permissões especiais  para postar como NPC. Continuei pois em duas ocasiões a administração me chamou para conversarmos sobre o life thread.

Me perguntaram se desejava continuar, respondi afirmativamente e,  nestes momentos, a administração da época também expressou que gostariam da continuidade das postagens. Negociamos como seria isso e me foi dada uma senha especial para logar como a NPC Krisna.
Confesso não ficar muito confortável com essa solução, mas por varias razões não seria possível unificar as contas. Aceitei prosseguir por conta do conteúdo já votado, já jogado e que ainda não tinha sido publicado. Não queria deixar as pessoas que votaram sem acompanhar o resultado in-game da escolha feita. Mas, realmente,  não me sentia confortável em permanecer postando o life thread nesta situação “clandestina”. Sentia que a permissão que me foi concedida acabou permanecendo mais pela amizade.

Assim, fiz a última postagem como Krisna  no life thread no início de fevereiro. Naquele momento não sabia ao certo se continuaria o projeto, mas já havia falado com a administração da época sobre um provável encerramento. Para minha surpresa, pouco tempo depois a administração do Portal Tibia/Tibia Wiki mudou novamente, as pessoas com as quais tinha mais afinidade saíram e fui convidada iniciar um novo projeto com elas. Conversamos sobre o life thread e no novo projeto havia espaço para dar a continuidade a ele, mas de uma outra forma.

O novo projeto não vingou, mas já estava cogitando a continuidade do mesmo de alguma outra forma, pois não queria deixar esse hiato.  Então, a motivação foi e ainda é terminar a publicação do que já foi jogado baseado em enquetes prévias.

Nesta época, eu estava completando 1 ano integrando a equipe do TibiaGuias. Já havia algum tempo que  tinha contado para elas que era eu quem jogava com a Krisna Jester e escrevia o life thread. Foi até muito engraçado este dia pois acabou sendo uma surpresa mútua, elas não sabiam que Krisna era eu e eu não sabia que elas curtiam e acompanhavam as postagens.

Então, em uma noite, estava desabafando com as administradoras sobre a angustia de não querer abandonar o projeto sem ter publicado tudo e elas, após ouvirem e questionarem alguns prós e contras se prontificaram em adotar a Krisna Jester. A narrativa deixaria de ser um life thread de fórum e passaria a ser conteúdo fixo do fansite, como uma coluna com publicações periódicas.

Fiquei muito feliz, mas também assustada com a dimensão e responsabilidade que viria. Deixaria de ser um projeto pessoal para ser um projeto de um fansite. Eu tinha as imagens e boa parte da história, a questão era que não conhecia a comunidade que acompanha o TibiaGuias. RPG é um conteúdo bem específico, e, apesar da minha vontade havia a insegurança de não saber ser haveria espaço para este tipo de publicação aqui.

Foi quando a Titahh me tranquilizou e deu a ideia de transformar o conteúdo já postado em e-book. Seria uma forma prática das pessoas que seguem o TibiaGuias e não conheciam o projeto inicial terem acesso a história e entenderem como foi toda a trajetória da personagem antes de iniciar as postagens inéditas.

Nunca tinha feito nada parecido antes, mas estava motivada, editamos o material, pensamos em capa, na melhor forma de disponibilizar os volumes e iniciamos esta nova fase do projeto.
Quanto a adesão do público, ainda é cedo para dizer, mas fiquei muito contente com o resultado da enquete preliminar onde 20% já conheciam o projeto e acompanhavam  e 65% não conheciam e estavam tendo o primeiro contato. Ou seja, a divulgação do novo formato atingiu tanto as pessoas que já conheciam o conteúdo do life thread  como outras pessoas  também tiveram a oportunidade de conhecer.

Os números da enquete foram bons, mas os comentários e criticas também contaram muito para me motivar nesta continuidade.
Como disse, ainda é cedo para avaliar a adesão do público, as postagens, embora inéditas ainda remetem a enquetes passadas. Mas, estou confiante que também no TibiaGuias o público vai interagir e participar das decisões.

9) O que a Krisna Jester significa para você como jogadora?

Gladiadora: Com certeza um grande desafio, mas também a possibilidade de experimentar novas experiências in-game, novas formas de interagir com a comunidade. E, claro uma oportunidade fantástica de resgate do conteúdo e particularidades do Tibia que muitos não conhecem ou já se esqueceram.
Então, pensando na pergunta que me levou a esses anos de aventuras: “Será que hoje em dia ainda é possível jogar Tibia da forma como eu o conheci?” Até o presente momento, respondo que sim. Embora mais difícil e desafiador, com o conteúdo que explorei até agora como Krisna Jester, ainda sim é possível  e divertido jogar Tibia em uma proposta RPGística.
Mas, ainda há muito conteúdo e aventuras pela frente. Continuem a ajudar a decidir o rumo desta história!

10) Para finalizar, o que você diria para alguém que está começando a jogar?


Gladiadora: Sou realista,  o Tibia não é mais um jogo tão atrativo quanto já foi.
Acho que os desenvolvedores meteram os pés pelas mãos em algumas decisões e tentam correr atrás do prejuízo para dar continuidade e  manter  o Tibia atrativo e competitivo em um mercado que mudou muito desde 1997.

O jogo tem problemas? Sim, muitos. O jogo tem uma comunidade atual boa parte constituída por jogadores com comportamento toxico, intimidador, egocêntrico e praticante do power abuse? Sim, mesmo em mundo optional PvP, é uma realidade que não pode ser ignorada e que dificulta muito pra quem está começando.

Mas se você só ouviu falar do Tibia recentemente e tem vontade conhecê-lo e jogá-lo, o que posso dizer é: vá em frente, não desista e se divirta!

Mas, vá com paciência, persistência e insistência. Jogue para se divertir, procure atividades in-game que tenham a ver com seu perfil e que te motivem. O Tibia não é um, "são vários" jogos e possibilidades de se divertir e passar o tempo dentro de seu universo. Não é um jogo de só upar levels infinitamente e perseguir achievements  ou itens raros, há um conteúdo fantástico e elaborado, e apesar dos gráficos pouco atrativos, uma impressionante riqueza de detalhes, ainda mais quando se joga com o cliente configurado em baixa luminosidade.

Tibia, apesar dos pesares, ainda é um jogo que encanta, cativa e nos faz passar momentos bem divertidos na frente do computador e, claro, ainda há interação positiva e construtiva entre os jogadores e é possível encontrar uma boa equipe, formar um bom time e porque não estender amizades que começaram no jogo ou motivados por ele para real life? Comigo deu certo!
Aproveito para agradecer ao TibiaGuias não só pela oportunidade e espaço para dar continuidade só projeto como também pela possibilidade de contar mais sobre ele.

Curtiu a entrevista? Nós adoramos e esperamos que vocês tenham curtido bastante, especialmente aqueles que acompanham a história da Krisna! Conte para gente o que você achou!

Continue acompanhando nosso conteúdo! Confira também nossos outros artigos.

6 comentários:

  1. Wow!!! Quantas histórias... Quantas aventuras...
    Como fiel seguidora da Krisna, fiquei muito feliz em saber que ela continuaria explorando o Tibia, agora aqui, no Tibia Guias!!!
    Mais feliz ainda com esse artigo/entrevista!!! É muito bacana saber o que se passa nos bastidores.
    As histórias da Krisna me levam a um lugar guardadinho à sete chaves na minha memória e no meu coração, dos dias que comecei a jogar, noob, sozinha, lutando dia após dia para vencer... Quando cada pequena descoberta se tornava uma grande aventura!!!
    Espero ainda poder acompanhar a Krisna por muito tempo!!!
    E que venham novas votações e que o povo seja bonzinho por aqui!!! kkkkkkkk

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    1. Olá Thais.

      Obrigada pelo comentário. Também espero tem mais histórias para contar e compartilhar

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  2. Amo as historinhas da Krisna! Quando descobri que ela morava no meu servidor fui logo ajudar e conhecer! Fico até emocionada em ler tudo e ver como o Tibia pode ser muito mais do que um joguinho virtual, tornando-se também espaço para criar aventuras totalmente novas.
    Obrigada, Krisna!

    Zos Io Pan <3

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    1. Olá Zos Io Pan

      Obrigada pelo comentário. O Tibia tem mesmo muitas possibilidades e fico feliz em poder mostrar um pouquinho desse outro lado.

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